sexta-feira, 3 de julho de 2015

Editais do Minc para todas as tribos

Indígenas, Midialivristas e Redes de Cultura de todo o Brasil vão poder concorrer, a partir desta sexta-feira (03/07), a R$ 13,428 milhões em três editais nacionais do Ministério da Cultura, que serão distribuídos entre 210 iniciativas para produção de conteúdo em sons, imagens, vídeos, textos, levantamentos de manifestações culturais e em rede e criação de pontos de cultura para diversas plataformas de divulgação. 

Os editais são lançados pelo Minc, através da sua Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural, para fomento de iniciativas ligadas à Política Nacional de Cultura Viva. A Secretaria de Audiovisual do MinC é parceira em dois deles, um voltado para Pontos de Mídia Livre, que conta também com a participação do Ministério das Comunicações, e o outro dedicado à cultura indígena, que tem, ainda, a parceria da Funai (Fundação Nacional do Índio). O terceiro edital, para Redes Culturais Brasileiras, é totalmente tocado pela SCDC.

O lançamento dos editais ocorreu na noite da última quinta-feira (02/07), na sede da Funarte, em São Paulo e contou com a presença do Ministro da Cultura, Juca Ferreira; da Secretária da Cidadania e Diversidade Cultural, Ivana Bentes; do Secretário do Audiovisual, Pola Ribeiro; do Secretário Municipal de Cultura de São Paulo, Nabil Bonduki e do Presidente da Funai, João Pedro Gonçalves da Costa. 

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, discorreu sobre cada um dos editais e a importância de políticas públicas para as áreas contempladas. Sobre o de mídia livre, Juca comentou que a comunicação é muito centralizada e unilateral. "Os interesses complexos da sociedade brasileira não são retratados. Ao reforçar a mídia livre, o que se faz é disseminar a produção de narrativa". Com relação às redes, Juca falou da preocupação permanente do MinC em estimular a atuação em rede: "Juntos somos muito mais fortes que isoladamente. Redes são fator de empoderamento. O objetivo", afirmou, é "estimular as que já existem e possibilitar que outros possam fazer isso". Quanto ao edital voltado à cultura indígena, o ministro falou de seu carinho e de sua importância na identidade brasileira.  Lembrando as violências das quais os povos indígenas são vítimas,  invasão e expulsão de terra, estupro de mulheres, destruição de riquezas naturais, Juca Ferreira afirmou que "a cultura é importante como parte da luta pela construção de um outro Brasil".  E enfatizou: "Não podemos permitir que o que há de pior na nossa sociedade possa destruir os povos indígenas brasileiros".

A secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural, Ivana Bentes, destacou alguns pontos importantes comuns aos três editais: reconhecimento das ações quem vêm sendo realizadas por essas áreas, estímulo a novas ações e, ainda, possibilidade de mapeamento das iniciativas, por parte do poder público, a partir das inscrições. "São três áreas estratégicas, para as quais queremos dar visibilidade", destacou.

O secretário do audiovisual, Pola Ribeiro, comentou que "o débito da comunicação é muito grande em todo o Brasil, e leva à invisibilidade da maior parte da sociedade". Segundo ele, as novas tecnologias romperam esse paradigma e, hoje, é possível que grupos se mostrem e se vejam representados em manifestações audiovisuais.
Veja, aqui, os detalhes de cada um dos editais.

Primeiro game feito com recursos da Lei Rouanet, ‘Toren’ é saudado como um marco


Imagem do jogo, feito pela produtora gaúcha Swordtales com R$ 350 mil captados via Lei Rouanet
Foto: Divulgação

Toren parece a escadaria para o céu, descrita na enigmática letra do clássico “Stairway to heaven”, do Led Zeppelin. Construída por um mago, a torre que “abraça a Lua” é o centro de um universo místico e multicolorido, repleto de encantos e feitiçarias. Aprisionada nela desde que nasceu, a jovem guerreira Moonchild deve escalar seus íngremes degraus, resolvendo quebra-cabeças e superando inúmeras armadilhas, até conseguir ficar frente a frente com o temível dragão que habita o topo, o derradeiro obstáculo no caminho para a liberdade e a redenção.

Mas “Toren” representa uma outra conquista. Criado pela produtora gaúcha Swordtales, ele é o primeiro jogo brasileiro que chega ao mercado financiado com recursos da Lei Rouanet. E chega dois anos depois de a então ministra Marta Suplicy ter declarado que game — um mercado que movimentou cerca de US$ 65,7 bilhões em 2013 em todo o mundo — não era cultura, provocando reações indignadas entre produtores e consumidores dos jogos. Com belos gráficos e narrativa inspirada em clássicos como “The legend of Zelda” e “Shadow of the Colossus”, “Toren” foi recebido com ressalvas pela crítica especializada — a revista “PC Gamer” saudou o roteiro, mas criticou os comandos e os movimentos erráticos da câmera. Para a emergente e ainda tateante indústria de games local, no entanto, ele representa uma vitória dos independentes, às vésperas do Big Festival, um dos maiores eventos do setor, que acontece nos próximos dias 6 e 7, no Rio, na sede da Firjan.

 “Toren” é um marco importantíssimo para a produção nacional de games, e todos esperam que ele seja o primeiro de muitos a usar essa ferramenta de incentivo fiscal — afirma Alexandre Machado de Sá, presidente da Associação Brasileira de Desenvolvedores de Jogos Digitais (Abragames). — Com ele, parece que entramos numa era de maturidade da relação entre produtoras independentes e possíveis investidores. Mas ainda há muito a ser feito.

Disponível para as plataformas PC e Playstation 4 (ao custo de R$ 19,99 na primeira e R$ 29,99 na segunda), “Toren” foi produzido ao longo de quatro anos. Teve autorização do Ministério da Cultura para captar R$ 371 mil. E conseguiu R$ 350 mil, com a ajuda da lei, que passou a incluir jogos eletrônicos a partir da portaria 116, de dezembro de 2011, regulamentada em janeiro de 2012.

 Sem o financiamento, não teríamos conseguido concluir o jogo da forma como queríamos — diz Alessandro Martinello, diretor de criação da Swordtales. — Na verdade, esse aporte entrou em 2013 e fez com que praticamente jogássemos fora tudo o que tínhamos feito até então, quase dois anos de trabalho. Com mais estrutura, resolvemos refazer o jogo quase a partir do zero. Mas acredito que valeu a pena. Foi um impulso muito importante. Só acho que a lei pode ser aprimorada, porque do jeito que está, hoje, ela só permite que investidores deduzam até 30% do valor aplicado em games. Isso pode afastar futuros investidores nessa área, ainda tão nova.

O que está em jogo, de acordo com Martinello, é a categoria da lei (prevista no artigo 26) em que os jogos foram incluídos. Nos projetos enquadrados no artigo 18 (caso de artes cênicas e música instrumental, por exemplo), é possível deduzir até 100% do valor investido, desde que respeitado o limite de 4% do total de imposto devido para pessoa jurídica e 6% para pessoa física.

A chegada de um jogo como “Toren” ao mercado é motivo de satisfação, já que ele sinaliza uma nova relação entre investidores e produtoras nacionais, mas realmente a lei precisa de ajustes, de uma nova calibragem — reconhece Carlos Paiva, secretário de Fomento e Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura (MinC). — Isso, porém, só deve acontecer com o Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura (ProCultura), que está tramitando no Senado. Com ele, acreditamos que essas distinções entre algumas áreas, que não afetam apenas os jogos eletrônicos, serão reduzidas, assim como as diferenças no modelo de captação de recursos.

Enquanto isso, o mercado nacional de jogos vai superando etapas com outras ferramentas. Uma delas é o Programa de Incubação de PlayStation para América Latina, criado em 2007, e que tem 58 produtoras brasileiras entre as 150 registradas. Mesmo sem fornecer recursos financeiros, o programa ajuda empresas (como foi o caso da própria Swordtales) com ferramentas de desenvolvimento e promoção em eventos.

Já a produtora BitCake, criada em 2013 no Rio, finaliza o jogo “Project Tilt”, previsto para ser lançado no segundo semestre, após ter sido contemplada com um projeto de incentivos da GameFounders, incubadora com filiais na Estônia e na Malásia.

Conseguimos receber, ano passado, R$ 15 mil para o nosso projeto. Isso nos ajudou a ir à Estônia, onde passamos dois meses tendo contato com desenvolvedores mais experientes — conta Camilla Slotfeldt, integrante da equipe de cinco pessoas. — Esse valor ajudou também nos custos com servidores, já que nosso jogo vai ser on-line. Mas a chegada de “Toren”, com recursos oriundos da Lei Rouanet, transforma completamente a natureza desse mercado. Nós mesmos não tentamos a lei porque não sabíamos como fazer Agora já há uma referência. E isso muda tudo, para melhor.

O Globo on line

Concerto aos Domingo apresenta nesta semana o Quarteto a La Sax

A atração de julho do projeto Concerto aos Domingo é o Quarteto a La Sax, formado pelos maestro Almir Medeiros e pelos músicos Aldo Nicolau, Elizaubo Wandemberguer e Eli Rodrigues. Como convidados especiais, o contrabaixista Felix Baigon e o baterista Carlos Bala. No repertório, obras de Albeniz, Tchaikovsky, Piazzolla, Almir Medeiros, Eduardo Neves, H. Mancini, P. Brubeck, Miles Davis e Chick Corea. Projeto Concerto aos Domingos. Instituto Histórico (Centro). Dia 5 de julho, às 10h. Entrada franca.

Festival de cinema ibero-americano na Espanha

Foto: ReproduçãoEstão abertas as inscrições para o 41º Festival de Cinema Ibero-Americano de Huelva, que será realizado entre 14 e 21 de novembro na cidade espanhola.
Filmes brasileiros podem ser inscritos nas competições oficiais de longas-metragens, para obras com mais de 60 minutos de duração, e de curtas-metragens, para produções com até 30 minutos. Para serem elegíveis em ambas as categorias, as obras devem ter sido finalizadas a partir de 1º de setembro de 2014 e permanecerem inéditas no circuito comercial espanhol. A critério da organização, os inscritos poderão integrar também uma das mostras não competitivas do festival.
Os participantes da Competição Oficial de Longas-Metragens concorrem ao prêmio Colombo de Ouro de Melhor Filme, no valor de € 20 mil, e Colombos de Prata de Melhor Filme, Diretor, Atriz, Ator e Roteiro Original e Adaptado. Os curtas disputam o prêmio de Melhor Curta-Metragem, no valor de € 1,5 mil.
As inscrições devem ser efetuadas exclusivamente pela internet, até o dia 31 de julho. Mais informações no site festicinehuelva.com.
Responsáveis por produções brasileiras selecionadas para as competições oficiais poderão solicitar apoio por meio do Programa de Apoio à Participação de Filmes Brasileiros em Festivais Internacionais e de Projetos de Obras Audiovisuais Brasileiras em Laboratórios e Workshops Internacionais.
Fórum de Coprodução - O Festival de Cinema Ibero-Americano de Huelva também promove anualmente o Fórum de Coprodução. O objetivo é impulsionar a formação de relações entre cineastas de ambos os lados do Atlântico e ajudar a fomentar o desenvolvimento de projetos audiovisuais com potencial de coprodução entre Europa e América Latina. Este ano, as atividades ocorrem de 18 a 20 de novembro.
Podem participar projetos de longas-metragens de ficção, animação ou documentário que tenham ao menos 20% de financiamento já assegurado.
Mais informações no site festicinehuelva.com/industria.

Internacionalização da Cultura é debatida no MinC

A importância e as particularidades da dimensão internacional da cultura estiveram na pauta do Ministério da Cultura (MinC) nesta quarta-feira, dia 1º. Representantes da Diretoria de Relações Internacionais (DRI) do MinC receberam, na presença do ministro Juca Ferreira, outras áreas da pasta no intuito de unificar e direcionar as ações do ministério. O encontro resultará na apresentação do Plano de Internacionalização da Cultura até o fim de julho. O documento ainda será disponibilizado para construção conjunta com a sociedade civil por meio de uma consulta pública, que será aberta no próximo mês. 

No debate sobre o tema, ocorrido durante Seminário de Alinhamento Estratégico Internacional, a DRI esclareceu que o plano reside na premissa de que a internacionalização da cultura brasileira é fator de desenvolvimento do País. Além disso, o Brasil conta com vantagens comparativas no campo da cultura que devem ser potencializadas. "O Brasil tem diversidade e originalidade, isso não é trivial. Outro elemento nítido é a facilidade para dialogar com o mundo. Nem todas as culturas têm essa abertura ou vocação", argumenta Gustavo Pacheco, diretor da DRI.

O ministro Juca Ferreira exaltou a importância de relacionar as diversas áreas do MinC em ações de internacionalização, que devem ser previstas desde a concepção dos projetos, e lembrou que esse processo deve ser uma via de mão dupla. "Precisamos trabalhar em torno do que nos diferencia, mas também em cima das marcas identitárias que nos unem com outros países". Juca ainda lembrou que a cultura é um ativo da relação do Brasil com outros países, ou seja, um instrumento de diplomacia. "Temos um mapa afetivo, uma possibilidade de desenvolvimento cultural muito grande, mas os objetivos não podem ser apenas exportação da cultura brasileira, e sim a criação de sistemas cooperativos, bilaterais, regionais, etc. Também temos muito a aprender", completou. 

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) acrescentou ao debate por meio do chefe da Divisão de Operações de Difusão Cultura, André Maciel. De acordo com o MRE, o interesse mundial pelo Brasil cresceu de forma acentuada nos últimos 20 anos, o que se reflete em convites a artistas brasileiros para participação em eventos no exterior, por exemplo. Ainda assim, Maciel disse que ainda há uma massa crítica cultural no País a ser reconhecida mundialmente. Além disso, para o chefe de divisão, a "internacionalização da cultura beneficia a posição internacional do País". Ele enfatizou que "vale lembrar que a cultura é um elemento central do poder brando, do soft power, e para que isso possa se manifestar é preciso que a cultura seja conhecida no mundo".

A economia da cultura será um dos principais focos do Plano de Internacionalização da Cultura. Dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) divulgados em 2012 informam que a indústria criativa representa 10% da riqueza produzida no mundo, ficando atrás apenas dos mercados de armamento e petróleo. No entanto, 40% desse mercado está concentrado nos Estados Unidos, na China e no Reino Unido – somados, América Latina e África detém somente 4%. O diretor da DRI, Gustavo Pacheco, reforçou que o trabalho feito internamente no ministério pretende ter um impacto global. "Queremos fazer uma ação contundente no sentido de ajudar a mudar os padrões de consumo, para que reflitam de maneira mais positiva os interesses do Brasil", disse.  

Internacionalização da Cultura 

A internacionalização da cultura é um conjunto de ações, no Brasil e no exterior, destinados a apoiar e consolidar a presença internacional da cultura brasileira nas esferas de criação, produção e difusão com vistas a promover o desenvolvimento do País. Nessa área, o MinC trabalha com quatro linhas principais de ação: formação e fortalecimento institucional; estímulo à produção, circulação e distribuição; intercâmbio cultural; e promoção da imagem brasileira.

Nesse contexto, entre as prioridades identificadas para a internacionalização da cultura, estão o Programa Integrado de Intercâmbio e Residências; o Projeto Integrado de Digitalização e Tradução de Conteúdos; o Calendário de Festivais, Feiras e Grandes Eventos Internacionais sediados no Brasil; Eventos de Mercado e Rodadas de Negócios Setoriais; a Promoção dos Sítios e Manifestações Brasileiras reconhecidas como Patrimônio Cultural Mundial e do Mercosul; a Promoção do Audiovisual Brasileiro; e a Atuação Pró-Ativa nos Organismos Multilaterais e Foros Internacionais. Ações internacionais do MinC ainda serão incluídas em três programas estruturantes: Diálogos na Fronteira, Circuitos Culturais nos Centros Culturais Brasileiros no Exterior e Promoção e Difusão da Língua Portuguesa no Exterior.